Próxima paragem: Céu .
O ser humano preocupa-se demasiado com que quer ter amanhã,
com aquilo que o outro conseguiu conquistar e que ele também (ruido de inveja)
queria, com a viagem que quer fazer, com o que quer comprar sem pensar em mais
nada. A vida é muito mais que “isso”, a vida vai para além do materialismo, da
inveja, do egoísmo, do próprio umbigo. O complicado e por vezes impossível é
transpor isso para a nossa rotina, para a nossa realidade, é fácil falar e mais
fácil ainda apontar o dedo mas o que é certo, é que mudar o amanhã poucos estão
dispostos a fazer e ir contra a sociedade é quase impraticável. Por isso deixei
o telemóvel em casa, fechei a porta e arrumei as chaves no porta-luvas do meu
carro já em estado de degradação e estacionei-o bem longe do local onde me
encontro, percebi que não precisava de nada “daquilo” para agora estar em
ligação com a Vida. Encontrei um jardim ao fundo da rua e vi que era ali que
podia tirar as conclusões que já à muito ansiava e sem ter tempo para olhar à
minha volta, tirei os sapatos e deitei-me relaxadamente (…)
Deixei-me “entrar” por entre as cores azuladas do céu e vagueei numa viagem sem hora de regresso. Pôs-me a pensar em tudo o que não é visível e a dar asas à minha imaginação como seria o outro lado, o lado que ninguém pode ir lá, ver como é, e vir-me contar a sua (nova) “experiência”. O lado fantasmagórico da questão! Noto que tudo o que tenho, tudo o que conquistei e virei a conquistar, todos os meus luxos e privilégios não virão comigo. Tudo ficará, possivelmente, nos mesmos sítios que hoje estão para que alguém se lembre de usar ou de espreitar. Não teremos nada nem ninguém, será como um começar de novo (ou então não), pode ser simplesmente uma continuação do hoje só que com regras diferentes (ou então não). É certamente uma incógnita (?).
Cheguei à conclusão que perdemos demasiado tempo a decifrar
o incompreensível e enquanto isso alguém apanhou o autocarro que não tem mais
regresso, alguém foi e já não volta mais, alguém que foi amado e desejado, rejeitado
e gozado que partiu sem ter data marcada. Enquanto choro por entre frases
lembro-me que alguém Meu também já apanhou esse autocarro, alguém que me fez
ser melhor pessoa, me ensinou a respeitar, a sorrir e a amar nos momentos
certos, a ralhar e a aplaudir nas fases mais delicadas de um ser humano. Hoje
só me resta recordar diante de retratos já corroídos do sol e agradecer por me
ter posto no seu caminho mesmo que curto aos nossos olhos. Deixei-me “entrar” por entre as cores azuladas do céu e vagueei numa viagem sem hora de regresso. Pôs-me a pensar em tudo o que não é visível e a dar asas à minha imaginação como seria o outro lado, o lado que ninguém pode ir lá, ver como é, e vir-me contar a sua (nova) “experiência”. O lado fantasmagórico da questão! Noto que tudo o que tenho, tudo o que conquistei e virei a conquistar, todos os meus luxos e privilégios não virão comigo. Tudo ficará, possivelmente, nos mesmos sítios que hoje estão para que alguém se lembre de usar ou de espreitar. Não teremos nada nem ninguém, será como um começar de novo (ou então não), pode ser simplesmente uma continuação do hoje só que com regras diferentes (ou então não). É certamente uma incógnita (?).
Agora, enquanto meu corpo se aconchega contra um jardim público imagino como Ele estará, como será lá a “vida”, se tudo o que faço em Terra tem “pozinhos mágicos” dele, se…, se…
(…)
Fui interrompida novamente pelas lágrimas que rasgam um sorriso, uma liberdade
enorme apodera-se de mim … Fecho os olhos por segundos enquanto a melodia dos
pássaros entoa na minha cabeça e digo para mim mesma: mesmo que longe, estas
bem perto porque enquanto sentimos, vivemos.
A essência da vida é
vive-la (pensa nisso) …
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